Fotografia, Arte e Poesia



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Albúm


Passar



 (Thiago Corban)
Passa o tempo
Se vão os amigos e filhos
Fiquei só mais uma noite

Passa o tempo
E vêm as rugas
Vai-se a energia da alma

Passa o tempo
E meu neto me chama para jogar bola
Joguei fora

Passa o tempo
E não corro como antigamente
Absolutamente fraco!

Passa o tempo
E tenho saudade
Quando o tempo passava...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Di Calcalcanti


O amor acaba...

Alécio de Andrade



O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

(Poema de Paulo Mendes Campo)

sábado, 15 de junho de 2013

Devia ser proibido
Música: Itamar Assumpção
Letra: Alice Ruiz
devia ser proibido

uma saudade tão má
de uma pessoa tão boa
falar, gritar, reclamar
se a nossa voz não ecoa
dizer não vou mais voltar
sumir pelo mundo afora
alguém com tudo pra dar
tirar o seu corpo fora
devia ser proibido
estar do lado de cá
enquanto a lembrança voa
reviver, ter que lembrar
e calar por mais que doa
chorar, não mais respirar (ar)
dizer adeus, ir embora
você partir e ficar
pra outra vida, outra hora
devia ser proibido...

VISITEM...

WWW.PORTERIOSA.BLOGSPOT.COM.BR
Política, cultura e entretenimento

CASA DO RIO VERMELHO


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

POBRE DO GATO SIÃO

POBRE DO GATO SIÃO (Thiago Corban) Sião era macho da raça angorá Pena que não sabia miar Era puro de alma Não comia ratos, pois era vegetariano Do signo de sagitário não fazia muitos planos Não comia ração preferia alface Tinha medo de tudo de sombra e da chuva Gato safado! Não ficava na rua, e com medo da violência Dormia de baixo da cama.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Até Quando...

ATÉ QUANDO Até quando a dor de existir Até quando a miséria que vejo E me pergunto até quando... Até quando o choro da criança perdida Que viu a mãe sair e não voltar mais Até quando serei castigado pela ética vã Até quando ficarei no escuro Esperando outros dias claros de paz Até quando o sangue que rola as ladeiras manchara nossos pés Até quando vou ouvir tiros na madrugada E correria nas vielas Até quando vai continuar nossa hipocrisia vil Até quando o verde dessa flâmula Será castigado por você Até os despojos nos servira de comida Até quando brindaremos a morte Até quando teremos vida.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ANJOS...

O PULO

Minas Gerais - Monte Sião

CORRENTEZA

Correnteza forte Leva a saudade Nesse rio tão cumprido Que dá vontade de chorar Onde Maria chorou por João Que estava á viajar Rio que corta cidade E vai morrer no mar Correnteza forte Nos dias de chuva Onde a lama faz caminhos Onde o homem não pode passar Na beira de rio É que a moça vem banhar O andarilho descansa De tanto caminhar Correnteza forte Segue sempre sem parar E o velho pescador Vê a lua repousar... Thiago Corban